A culinária ortomolecular, assim como a medicina que leva este nome, tem como principais objetivos corrigir os erros alimentares - principalmente de micronutrientes, ou seja, minerais, vitaminas e ácidos graxos (gorduras) essenciais - e neutralizar os radicais livres dentro do organismo. Na realidade, as descobertas da medicina ortomolecular somente corroboram os princípios de vários sistemas alimentares naturistas que já existem há muito tempo, alguns desenvolvidos há algumas décadas até outros existentes há milhares de anos. A diferença é que agora, com os novos recursos da bioquímica e com o estudo dos radicais livres, se sabe para que e porque, determinados alimentos e formas de preparo são indicadas, e outras não.
Os radicais livres são substâncias altamente reativas que
quando se acumulam no organismo produzem um estresse celular que pode
chegar à morte da célula. Na melhor das hipóteses, os radicais livres
produzem um desgaste e envelhecimento celular precoce. O excesso de radicais
livres ou estresse oxidativo é produzido por condições como
intoxicações por metais pesados (poluentes da água, ar e alimentos),
tabagismo, alcoolismo, frituras e gordura saturada, estresse, tensão emocional e
baixa ingestão de alimentos anti-oxidantes. Esse estresse oxidativo que é um estresse
celular, predispõe o organismo a condições como fadiga crônica,
infecões frequentes e a vários tipos de patologia como câncer, psoríase,
artrite etc.
Os anti-oxidantes são as substâncias que combatem esses
radicais e são compostos pelas vitaminas, determinados minerais e aminoácidos
e também por algumas enzimas e hormônios que sintetizamos no organismo. Os
chamados alimentos anti-oxidantes atuam em 4 níveis diferentes. Alguns impedem
a formação de radicais, outros impedem a sua "propagação", outros
neutralizam os já formados enquanto outros participam da formação dos
anti-oxidantes sintetizados pelo organismo.
Considero equivocada a idéia de que o trabalho da Medicina Ortomolecular seja somente a indicação de suplementos dietéticos. Sem uma "alimentação ortomolecular" o trabalho nesse nível fica muito limitado. Considero a idéia contrária, ou seja, a de que conseguiríamos todos os elementos essenciais e anti-oxidantes da nossa dieta normal, também equivocada. Acho que conseguiríamos se vivessemos em um lugar sem poluição da água e do ar, sem agrotóxicos nos alimentos, sem estresse emocional (todos produzidores de radicais livres) e somente ingerindo diariamente a dieta ideal. Acho que quem conseguir preencher todos estes pré-requisitos então estará realmente qualificado para dizer "minha alimentação normal supre todas as minhas necessidades orgânicas". Poderíamos dizer que, além de ajudar a corrigir os distúrbios orgânicos e erros alimentares, a suplementação dietética é um antídoto para as diversas intoxicações da cidade grande.
Uma outra mensagem importante pode ser deduzida à partir das descobertas laboratoriais acima mencionadas. Praticamente todos os princípios alimentares indicados por vários sistemas naturistas estão sendo corroborados por experimentos bioquímicos e estatísticos no momento. Como na época em que esses sistemas foram criados não havia a tecnologia de hoje para comprova-los, os criadores desses sistemas valiam-se do mais sensível aparelho existente sobre a terra, a "máquina humana" que somos nós mesmos. Ou seja, eles se valiam do empirismo direto, da avaliação dos fatos feita por seus "aparelhos humanos". O empirismo indireto, ou seja, a avaliação dos fatos baseada em meios indiretos, como aparelhos e reações químicas, está confirmando o que foi estabelecido pelo empirismo direto há tempos. Ou seja, o tão "anti-científico" caminho da intuição e da avaliação subjetiva está tendo um reconhecimento por parte da comunidade científica.
1)
Comer alimentos ricos em anti-oxidantes
Além
de um equilibrio entre proteínas, carboidratos, gorduras essenciais, minerais e
vitaminas, podemos focar nossa dieta em alimentos que contém anti-oxidantes,
para inibir a ação dos radicias livres. Os principais anti-oxidantes contidos
nos alimentos são vitamina C, vitamina E, beta-caroteno, o mineral selênio e
os aminoácidos cisteína e metionina. A
lista dos alimentos que mais contém estes anti-oxidantes encontra-se em alimentos
anti-oxidantes
2)
Comer uma parte dos alimentos crus
Existem
várias enzimas e vitaminas contidas nos alimentos que são destruídas e uma
parte dos minerais é "lavada" pela água do cozimento. Anti-oxidantes
como a vitamina C e a E, são parcialmente destruídas em qualquer forma de
cozimento, mesmo no vapor. O ideal
é que pelo menos 40% das refeições seja composta de alimentos crus.
3)
Cozimento no vapor
Pelo
mesmo motivo do ítem acima. Existe determinadas enzimas e vitaminas que são
termolábeis (se destroem com o calor excessivo) e/ou hidrosolúveis (que se
dissolvem na água do cozimento). O
cozimento, especialmente com muita água, retira também grande parte dos
minerais. O cozimento no vapor é feito com temperatura um pouco mais baixa e
sem contato direto com a água. Além
de preservar as vitaminas, minerais e enzimas, preserva melhor o sabor dos
vegetais.
4)
Utilizar vegetais sem agrotóxicos
Os
agrotóxicos utilizados nos vegetais são indiretamente produtores de radicais
livres. O nosso fígado é capaz de
neutralizar esses agrotóxicos mas para isso utiliza grande quantidade dos
anti-oxidantes disponíveis no organismo. Essa
utilização dos anti-oxidantes deixa outros processos vitais carentes dessas
substâncias. Alguns agrotóxicos também contêm metais pesados que ficam
retidos no organismo, produzindo efeitos nocivos. A ironia é que com isso,
acabamos utilizando as vitaminas contidas nos alimentos somente para eliminar os
tóxicos contidos nesses mesmos alimentos.
Aqui
no Brasil infelizmente ainda são usados agrotóxicos que já foram proibidos em
todo o resto do mundo e além do mais, em quantidades muito maiores do que as
recomendadas. [1]
Ou seja, no nosso país estamos qualitativamente e quantitativamente mais
expostos a intoxicações. A coisa aqui é
séria, então, se você realmente almeja uma alimentação saudável, é
fundamental que essa mudança qualitativa seja feita. Alguns supermercados já
oferecem alguns vegetais orgânicos e também hidropônicos. Apesar dos orgânicos
serem melhores que os hidropônicos, pois utilizam nutrientes naturais, nenhum
dos dois contém agrotóxicos.
5)
Utilizar cereais integrais
No
processo de refinação são retirados os óleos nobres, aminoácidos, minerais,
vitaminas e fibras contidas no germe e na película que recobrem os cereais. Tornam-se portanto a chamada caloria vazia fornecendo
somente amido ao organismo. Por
isso propiciam prisão de ventre e acúmulo de gordura (pela falta de fibras e
Complexo B) e lenta desnutrição e
desmineralização do organismo.
6)
Evitar frituras e margarinas
Quando
aquecidos, os óleos mudam suas características bioquímicas radicalmente em
termos de efeito no organismo. De um efeito protetor quando crus, passam a ter
um efeito produtor de radicais livres quando aquecidos. As margarinas, apesar de
não conterem colesterol, tem o mesmo efeito da gordura saturada no organismo.[2]
7)
Evitar carne vermelha, porco ou carne em conserva
Além
do tão temido colesterol, a combinação de alto teor de Ferro e gordura da
carne vermelha forma uma combinação deletérea.
O ferro e gordura, em combinação com os sais biliares presentes no
intestino, forma o estercobilinogênio,
substância com alto poder tóxico. O tão apreciado tostadinho da carne
é uma bomba de radicais livres. A quantidade de 100 gramas desse
tostadinho (que é facilmente ingerido em um churrasco, por exemplo)
equivale à quantidade de radicais livres produzidos por 15 cigarros.
As
carnes em conserva, ou seja, presunto, salsicha, salsicha de frango ou peru,
linguiça, mortadela, paio, aves e peixes defumados, "blanquete" de
peru etc, todos contém nitratos e nitritos, que são conservantes que produzem
câncer. Mesmo o inocente peru ou frango em conserva contém estes conservantes.
Muitos defumados também contém nitratos e nitritos, além do defumado em si,
pois a gordura das carnes, sob a ação da fumaça, produz alta quantidade de
radicais livres no organismo.
Não
é à toa que o vegetarianismo diminui muito a chance de câncer no intestino (e
em outros locais também). O Japão antes
da ocidentalização, com sua dieta tradicional à base de peixe cru, arroz
integral, algas, ban-chá, gengibre e vários outros alimentos anti-oxidantes,
tinha a menor incidência de câncer no mundo.
Se ingerirmos carne vermelha é adequado que não seja frequente e que
seja conjuntamente com uma farta
quantidade de saladas cruas para minimizar seus efeitos nocivos.
8)
Evitar enlatados e conservas artificiais
Alguns
conservantes contidos nesses produtos são tóxicos ao organismo.
Em geral, quanto mais artificial o produto, mais trabalho dá ao corpo
para elimina-lo.
9)Evitar
açúcar branco
Como
já foi comentado na parte dos carboidratos. o açúcar branco está relacionado
com obesidade, diabetes, desmineralização do organismo e problemas
psico-emocionais. O açúcar também
diminui a resistência imunológica.
10)
Evitar xantinas (cafeína e similares)
O
café (e similares como chá preto, mate, guaraná em pó, chocolate,
refrigerantes cola, noz de cola) é certamente a droga mais usada e
abusada na nossa sociedade. A cafeína
é um forte excitante do sistema nervoso central e aumenta a frequência cardíaca,
a pressão arterial, respiração, atividade gastrointestinal, produção de ácido
do estômago, a função do rim e a atividade mental. O uso diário e frequente tende a produzir
sintomas no estômago, irritabilidade, impaciência, insônia, fadiga e
instabilidade emocional. Algumas formas de depressão são equilibradas somente
retirando-se o café. Em pessoas
sensíveis este efeito é bastante evidente.
As
xantinas também interferem com a absorção de várias vitaminas e minerais,
entre eles o Ferro e o Cálcio. Por produzirem resistência no organismo, muitos
indivíduos necessitam de doses cada vez maiores de para produzir o efeito
excitatório. Seu aroma e sabor especial, aliado ao efeito de aliviar
temporariamente a fadiga, produz uma forma de vício e dependência em algumas
pessoas. O café descafeinado reduz o problema da cafeína mas são usadas
outras substâncias químicas no processo de descafeinização. Além disso,
não é somente a cafeína que produz irritação digestiva mas também
outros óleos aromáticos contidos nele. O café e similares, como drogas
light que são, deveriam ser usadas somente esporadicamente ou eliminadas
da dieta, em indivíduos sensíveis.
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Veja também: Alimentos anti-oxidantes
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Autor desta página : Claudio Aquino - Médico Clínico Geral
ClaudioAquino@doctor.com